Tempo é um Tempero Interessante.

Postado em 14 de dezembro de 2021

Já reparou que moedor de pimenta e ampulheta têm a mesma forma?
Claro que você já ouviu frases como no “meu tempo o pastel de feira era muito mais gostoso” ou “o sanduiche de mortadela que eu comia na escola tinha um sabor que hoje não existe mais”, e dezenas de outras variantes.
Mesmo que alguém prove, demonstre que o pastel e a mortadela são feitos hoje com os mesmos ingredientes de 40. 50 anos atrás, a memória emocional lembrará de um sabor que hoje não consegue mais sentir.
Pense um pouco. De que doce, petisco ou prato você tem saudades?

Saudade, passado, tempo em fim, é o componente definidor dessa diferença. Tempos gostosos, despreocupação, companhias da época que, naquele momento eram banais, hoje são carregadas de encantamento. Ou seja, o tempo é sim um grande tempero. A ponto de funcionar como Ajinomoto. Realça o sabor. Mas só que do passado.

O mesmo ocorre com aquele bailinho dos 15 anos, quando bastava afastar os móveis da sala na casa de alguém, num sábado à tarde, botar um disco numa vitrolinha portátil, tipo maleta e pronto. Estava feita a balada daquele tempo. Claro, com uma magia que nenhuma casa noturna de hoje consegue ter.
Com a idade vamos começando a achar que o melhor da festa não é mais esperar por ela, mas sim lembrar dela. Das centenas de festas pelas quais passamos e que nos encheram de vivências deliciosas, algumas das quais até mudaram nossas vidas. Quantos namoros, casamentos, amizades duradouras, quase eternas, declarações corajosas, decisões fundamentais como deixar de fumar, começar um curso e tantas outras, foram tomadas em reuniões festivas, cheias de alegria e pessoas queridas.

Às vezes esse tempero pode ter um efeito colateral desagradável para algumas pessoas, que passam a achar que o presente só tem coisas ruins, chatas, sem graça e que o bom era apenas o que passou. Pior ainda, as agourentas que sempre preveem um futuro amargo, intragável.
Bom mesmo é mantermos nosso interesse por celebrações que ainda estejam por acontecer, por doces, petiscos e pratos que sejam tão ou mais saborosos que os do passado e, se possível, festas que nós mesmos promovamos e quitutes que nós mesmos preparemos.
Porque se conseguirmos fazer do presente e futuro dois novos temperos, certamente nossa vida terá outro significado.
E outro sabor.