No Natal de 1983

Postado em 2 de junho de 2012

No Natal de 1983 um rádio relógio Philco custava CR$ 59.000,00. Isso mesmo, 59 mil cruzeiros. E isso era uma promoção. Nesse ano tomaram posse os primeiros goverandores eleitos pelo voto direto depois do golpe militar de 1964. Foi uma festa cívica empolgante. O Brasil voltava lentamente ao estado de direito. Em São Paulo o vitorioso foi Franco Montoro, no Rio de Janeiro, Leonel Brizola e em Minas, Tancredo Neves. A oposição conquista espaços enormes, confirmando o repúdio ao autoritarismo.
No cinema o filme Gadhi leva 8 Óscares, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator. A banda Paralamas do Sucesso lança seu primeiro CD e ganhamos uma nova rede de TV. A Rede Manchete, que enquanto existiu fez as melhores coberturas e imagens do Carnaval do Rio, obrigou a Globo a repensar a estrutura das novelas ao lançar a sua Pantanal, novela que arrebatou parcelas de audiencia que deixaram os globais de cabelo em pé.
Nelson Piquet ganha a Formula 1 pela segunda vez e o Gremio, de Porto Alegre, ganha a Copa Libertadores da América.
Nesse ano, a convite do Silvio Freire trabalhei na agencia Standar Ogilvy & Mather onde convivi com ótimos profissionais e fiz alguns bons amigos.
E as lojas de departamento Mappin faziam sempre vitrines atrativas tornando o Natal mais festivo. A inflação era um absurdo de impensáveis 80% ao mês.
Mas passear no Mappin era uma maravilha. Depois tomar um café no Vienense, da Rua Barão de Itapetininga ou, dependendo do horário, um chope no Leco, na Galeria Metropole, ou no Bar e Restaurante Guanabara, bem no comecinho da Av. São João, quase esquina da Rua Libero Badaró.
Não havia PCs, tables, notebooks ou smartfones e quando as pessoas sentavam-se diante de uma boa cerveja, olhavam para seus acompanhantes e não para aparelhos na mão.