Meus Três EUs

Postado em 16 de abril de 2021

Por sorte tenho nome comprido e isso me permite identificar meus três ‘eus’ principais. Pra quem não sabe, meu nome completo é Carlos Andrés (com s, sim) José Ganzelevitch Vargas. Cinco nomes. Bem menos que os 18 de D. Pedro I, mas suficiente para este tema.

O ‘eu’ mais formal e protocolar é o Carlos Vargas, primeiro nome e último sobrenome. Consta nas passagens aéreas, nos cartões de crédito e é esse que chamam nas salas de espera de clinicas e convênios médicos. O Carlos Vargas é pragmático, objetivo, tem grande habilidade no preenchimento de formulários e processos burocráticos.
É meio chato, chegado a regras, normas, manuais, não muito expansivo e, às vezes, um pouco rígido e quadrado, mas é boa gente.

O ‘eu’ mais aparente é o André Ganzelevitch, que não costuma usar o S no final do nome. Odeia burocracia, gosta mais de artes, atividades lúdicas e criativas, adora um bom papo e uma boa cerveja e diz ter sorte de ter a companhia do chato do Carlos pra quando surge a necessidade de lidar com tarefas chatas como ele. “Aí Carlão, isto é pra você.” costuma pensar em sua interna comunicação com o burocrata. O André é mais comunicativo e não tem muita dificuldade de falar com qualquer público. Muito passional, tende a julgamentos e decisões mais guiadas por emoções do que pela lógica cartesiana.

E o ‘eu’ José? Tadinho, né? Espremido no meio dos outros dois, o José é pacatão, na dele. Não chega a ser tímido, mas fala pouco e aparece menos ainda. Até porque os outros dois raramente lhe dão espaço. O José é muito simples, quase matuto, mas não é exatamente humilde. Simplicidade e um certo recato estão mais pra prudência do que subserviente modéstia. Embora os três tenham a mesma idade, o José talvez seja o mais velho. Ao menos do ponto de vista vivencial. Aprende muito com os outros dois e analisa as coisas mais do que eles. Se diverte com o jeitão meio marcial do Carlos, às vezes se assusta com os rompantes e repentes do André e quando os dois estão mais quietos, adormecidos, tenta lhes soprar um pouco mais de sensibilidade e juízo, respectivamente. Nem sempre dá certo. Mas esse é o papel do Zé. Bom e velho Zé.

E qual dos três escreveu isto tudo?
Quem me conhece talvez tenha palpite. Mas pra quem não me conhece, é irrelevante.